
Há muito tempo eu não aparecia por aqui. 66 dias, para ser mais exato. Mas juro que não foi por falta de vontade ou inspiração. Estava apenas me adaptando a um novo ritmo, que exigia mais de mim do que outrora.
Pensei em aproveitar, então, esse sábado em multiaspecto ultraprodutivo para matar as saudades.
E justamente por haver muitos assuntos a ser tratados que veio a dúvida sobre qual deles tratar.
E quando vi que já havia deixado um-quarto-de-milhar de impressões por aqui, pensei sobre o outro quarto com o qual estava me havendo: minha recente chegada a um-quarto-de-século.
Completei, ao quarto dia do vigente mês, a marca dos vinte e cinco anos.
E esse ano, percebi o interessante fenômeno ao qual me envolvi: o das coisas-de-velho.
A primeira, e mais importante: justamente a de ter esse tipo de discussão. A meta-coisa-de-velho é pensar que já se está fazendo coisas de velho e refletir sobre elas.
Daí, vêm as "secundárias": a de pensar na carreira. E é interessante perceber isso: que já tenho uma carreira. Algo que construo e que a cada dia solidifica algo que se chama de "nome". Ultrapassar a barreira do estágio e ter um nome, um cargo e um salário. E todos os componentes simbólicos envolvidos nisso. É o rito de passagem; o batismo de fogo. O adultecer-se.
O outro simbólico é, pelo sistema decimal de contagem, saber que cada dia que passa me afasta dos vinte e me leva, qual vagalhão, aos trinta. E isso prescinde várias coisas. Dos cuidados com o organismo ao ficar cada dia mais ridículo morar com os pais, dentre outros detalhes que introjetamos sendo ocidentais, de gênero masculino, sulamericanos e brancocêntricos.
É o tempo do haver-se. Do exigir de si mesmo. É olhar frente a frente com a mandíbula da fera e repetir a si que se quer aceitar o desafio. É o de perguntar se o melhor não seria largar tudo e vender pulseiras em Jericoacoara.
(De forma alguma denegrindo quem faz isso. Não considero isso a derrota. Só assinalo que é a época de escolher que reviravolta assumir na vida).
É, mesmo sem pensar em casamento, pensar em que mundo seu filho nascerá. Porque, à revelia de qualquer situação civil, quero, sim, ter um filho. Quero mimá-lo, pô-lo para cima e para baixo, corrompê-la(o) com minha visão de mundo e ficar puto quando ele(a) discordar do que penso. O que reforçará meu status de velho.
E tantas outras coisas. para mim, o quart-de-século veio envolto a muito saudosismo. lembranças do que amei e odiei, sendo necessário ou não para a constituição de minha psiqué.
E com uma convicção: a de que minha avaliação para saber se a vida anda sendo boa veio de modo positivo.
A avaliação é simples (e não sei se já falei dela, de tanto tempo que passei longe do blog): é perguntar a si mesmo: se o Universo fosse ficção idealizada por alguém, o que vivo me tornaria protagonista ou coadjuvante de uma história.
Ouso, atrevo e me orgulho em responder:
Protagonista.
Carpe Noctem. Obrigado a todos os me auxiliam a viver a vida e torná-la prazerosa, mesmo envolto aos percalços.
P.S: A foto acima é de um momento em que chorei ao relembrar. Conrado, eu e Danillo, aos nove anos, com tempo livre, fazendo trabalhos escolares e aproveitando a folga para brincar com os Cavaleiros do Zodíaco. Obrigado, por tudo que vocês nem sabiam que me deram. Amo vocês.
P.P.S: Não, não vou culpar Caetano nem a vodca pelo relato embebido em emotividade. Sei que sou assim por mim próprio.