terça-feira, 30 de junho de 2009

Dezesseis.

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Now playing on iTunes: Paul McCartney - That Was Me
via FoxyTunes



Tenho o hábito de fazer registros escritos há cerca de oito anos, no que eu batizei de Cadernos-pretos (em homenagem à cor da capa do primeiro deles; os outros não necessariamente seguiram esse padrão). Como era um espaço privativo meu, dava-me a liberdade de não conferir linha alguma ao que escrevia: os textos pendulavam entre letras de canções, poemas (alguns, inclusive, se provaram que NÃO eram poemas. Mas isso é outra conversa), desabafos, declarações de amor velado, opiniões, declarações de amor veladas... Algo tão plural quanto nossos dias.

Dia desses, resgatei esses Cadernos-pretos para lê-los e ver se algo deles ainda tinha algo que me agradasse para ser publicado aqui. E foi uma leitura deliciosa, por duas razões principais.

A primeira: é impressionante o volume de coisas que ainda achei interessantes de ler e/ou publicar. O volume de material aproveitado, na íntegra ou com pequenas modificações, ainda tinha alguma força, algo a dizer (pena que o Caderno do qual eu tinha mais orgulho e lembranças boas tenha sido roubado junto com uma mochila minha, num episódio esquecível).

E a segunda é: esse negócio de adolescer existe mesmo!

O hiperbólico. O imediatismo. O precipitado. Já houve uma época de ter valores extremos. Já tive amores p’ra vida toda e opiniões imutáveis, sobre o quer que fosse. De me orgulhar em já saber o que queria ter/ser. De ter sonhos do tamanho do mundo todo.

E não ouso dizer que era uma época mais simples. Nunca há época simples. Esquecer um livro no colégio quando se tem nove anos pode ser um problema tão grande quanto manter um namoro aos dezenove, o nascimento do filho aos vinte e nove e o livro que esse filho esqueceu no colégio aos trinta e nove. Somos uma serpente que rompe a casca do ovo até se deparar com outra casca ainda maior para ser quebrada e que nos exigirá não a mesma força, mas o mesmo esforço.

Um professor meu certa vez disse que, quando ficamos velhos, carregamos conosco os cadáveres de um bebê, uma criança, um jovem e um adulto. Permita-me transcorrer sete anos desde que ouvi isso para discordar em parte dele e retrucar: viver assim é, sim, uma das muitas opções.

Meus próprios Cadernos-pretos me revelaram que o adolescente em mim ainda dá muito pitaco no que faço e sinto. E que ainda o acho lindo, em ingenuidade, rebeldia e hipérboles.


Carpe Noctem. Amo vocês.

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