
Poesia eu faço assim:
Eu sou real.
Ela que é o lírico.
Carpe Diem. Amo vocês.
Peço sua atenção sem entoar palavra, algo que seria estranho se não fosse quotidiano.
Involuntariamente, tomo-te por altar. Prostro-me aos teus pés e imploro um olhar teu. Uma intervenção profana, de consequencias divinas.
Choro em meu quarto por algo que desejo. Infantil de minha parte? Talvez. Se o motivo fosse outro.
Ocorrem outros fatos entre uma cena e outra. Mas deles não me recordo. Qualquer sorriso, aperreio, cronograma ou programa de auditório simplesmente se perdem.
Chego ao meu limite. Deparo com a verdade de que, com você, todo o resto é prólogo e epílogo. O resto do mundo, no resumo, fica fora.
E tu, tão facilmente olvidaste quem eu sou.
Indigno se não fosse tão genuíno.
Incômodo se sequer doesse.
Seria a ruína. Se não fosse comum.
Carpe Diem. Amo vocês.
Talvez pelo fato de Natal ser um lugar cosmopolita, à revelia de seu cascudiano provincianismo: não é difícil encontrar, em grupos de amigos, pessoas vindas de fora da cidade e/ou do Estado. Eu, por exemplo, tenho em meu círculo paulistas, paraibanos, pernambucanos, cariocas, cearenses, paraenses, brasilienses, tocantinenses, piauienses, baianos, gaúchos... até mesmo um ou dois potiguares!
A questão é: em meio a essa babel intranacional, sempre surgem discussões no campo da língua. Sobretudo na fonética.
“prÉ-guiça”, “prÊ-guiça” ou “prI-guiça”? “Ó-bservação” ou “Ô-bservação”? E lá vai cada um defendendo o seu ponto de vista sobre pronúncias. Uns defendendo regras. Outros defendendo bairrismos. Outros, ainda, defendendo a estética. E a grande maioria, defendendo vícios.
Grafemas são meros símbolos. Eles por si só, não emitem som algum. O som que imaginamos e proferimos quando os criptografamos é mera associação. Contudo, havia uma regra que eu seguia. Com algo de estabelecido, irrefutável. Um “o” solto tem som de “ô”, e não de “ó”. Sem acentos, o som era esse, mesmo, como, por exemplo, “pÔuco”, “mÔça”, etc. Estava tudo resolvido, então.
Mas agora, com a nova reforma, virou um relativo samba-de-crioulo-doido. Com a vigente regra da exclusão de acentos nos ditongos abertos “éi” e “ói” das paroxítonas, “heróico” vira “heroico”, mas continua soando “heróico”. Ou seja, mesmo sem o acento agudo, “o” soará “ó”.
Concluindo:
“a-É-i-Ó-u” ou “a-Ê-i-Ô-u”?
Agora, depende.
Carpe Diem. Amo vocês.
Aqueles que me conhecem sabem que eu não sou o maior consumidor de programação televisiva do mundo. Há 9 anos eu tirei a caixinha colorida de meu quarto, e não sinto falta alguma dela ali.
O fato é que, talvez por isso, eu tenha ignorado a informação que fui ver somente hoje, visitando o blog de Danilo Gentili (que fui conhecer via Twitter), sobre os ganhadores do Prêmio Extra 2008 de Televisão. Algo que foi, inclusive, tema de matéria no CQC (programa do qual o supracitado blogueiro também é repórter). Dezembro de 2008 já passou, mas o fenômeno manipulativo inda vigora.
Não estou aqui p’ra falar mal de coisas como o “Zorra Total” e ufanizar coisas como o “CQC” – não passaria de uma opinião minha. Deixarei que os dados apresentados lhes deem (maldito corretor ortográfico automático do Windows que insiste em querer colocar acentos circunflexos) material para pensar sobre uma “provável” manipulação de informação que anda tão banal na TV brasileira. Um dos motivos, inclusive, de eu ter abandonado meu aparelhinho. Uma das 6 frases que aprendi com um colega que eu devo falar todos os dias, de frente ao espelho, é: "eu não sou palhaço". E a que eu uso diariamente, para mim mesmo, é: "p'ra me atrapalhar, já basta eu".
Deixo abaixo o post ipsis literis do articulista, com todos os "sic" que eu NÃO farei.
E riam p’ra não chorar.
04/12/2008
HOJE TEM MARMELADA?
Se uma premiação é realizada no Rio de Janeiro por um jornal carioca do Grupo o Globo tenho a leve impressão que talvez não é errado alguém desconfiar.
Mas para espantar desconfianças, os organizadores da premiação deixaram a decisão do prêmio na mão do povo, pois no fundo eles sabem que a voz do povo é a voz de Deus e Deus é poderoso o suficiente para mudar tudo, inclusive a voz do povo, principalmente se o deus do nosso povo é justamente o Grupo O Globo. E eu sempre achei que nada nesse mundo tinha mais marmelada do que o início da música do Sítio do Pica-Pau Amarelo.
Eu estava lá. Anunciaram Maísa, o povo (que vota) ovacionou. Anunciaram Ana Maria Braga, ninguém ligou. A vencedora foi a terceira colocada na votação. Ah sim, só um detalhe: Ana Maria Braga é colunista do jornal Extra.
Na categoria Melhor Humorístico não houve marmelada. O cara que premiou apenas se confundiu e leu a votação em ordem decrescente. Foi um erro técnico apenas e quem levou o prêmio foi o programa de humor inovador e de bom gosto da Rede Globo que estava em último lugar na votação.
Como viram no gráfico para a revelação de 2008 eu perdi o prêmio por um triz! Foram apenas mais de 40% de diferença. Thiago Mendonça, terceiro colocado, ganhou o prêmio por interpretar um homossexual. Conversando com ele notei deve ter sido fácil entrar no papel. Ele fez praticamente na novela o que eu faço na comédia stand-up, interpretou de cara-limpa. Acho que ele merecia o prêmio se interpretasse, por exemplo, o Jece Valadão. Mas se eu olhar por esse lado eu não merecia nem ser indicado, pois cheguei lá interpretando o repórter inexperiente. Um completo idiota.
Somente nesses casos houve uma reviravolta de última hora. Nos outros casos, onde os programas e artistas da Globo estavam em primeiro, tudo se manteve prefeitamente em ordem com os dados que o site forneceu.
Tu és minha embaixada, meu consulado. Onde falam meu idioma e onde me refugio de meu crime. De onde volto p’ra mim, extraditado.
E deve ser mesmo isso, pois não há nada entre a gente, menor que seja, que não possa virar um incidente diplomático. De uma burocracia paralisante. De embargos, escândalos e tudo que a televisão adora mostrar.
De uma complexa fragilidade. E cargos obsoletos. És Encarregada? Plenipotenciária? Pouco importa.
O que é fato é que tu és um pedaço meu que nunca esteve em mim.
Você só aparecer por perto quando lhe dá na telha. Deveria ser crime punido com reclusão em minha masmorra.
Você dar as caras quando bem quer. Devia ser pecado sujeito a ter que se confessar sobre seu amor p’ra mim.
Você falar comigo somente quando conveniente. Deveria ser tabu advertido comigo cerrando teus lábios.
Você surgir bem na hora da saudade apertar.
Seria legal se virasse lei.
“E depois a luz se apagou. E eu não consigo mais ficar sozinho aqui. Sem você
é tão ruim, não tem sentido, prazer, não há mais nada.
Por favor, não me interpreta mal. Eu não queria nem devia te magoar. O
tempo vem, o tempo vai, passa por mim meio assim devagar.
Vou dormir sentindo o que a solidão pode fazer a um ser ferido, por saber
que o erro era meu. Só meu.
Já passou, agora já passou. Mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar.
Ver você, ter você... O querer mais de nós dois não tem nada demais.
E pensar... Você aparecer pela janela tão bonita de manhã. Vem pra mim e
não vai mais. Me abraça, me abraça, me abraça por tudo o que for.”
(Lobão - Por Tudo O Que For)
Carpe Diem. Amo vocês.