quinta-feira, 17 de abril de 2008

Redescobrindo o Brasil [Não, não é o livro]

Quem diz que nessa cidade não se produz música de qualidade ou é muito preguiçoso ou tem muito mal-gosto.


Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz lançam DVD, reinventando ritmos brasileiros.


Conta a história oficial que em 22 de abril de 1500 o Brasil era “descoberto” pelos portugueses.
Divergências históricas à parte, a partir daquele momento, culturas de várias partes do mundo começaram a se fundir e formar a cultura brasileira. E a música verde e amarela traz essa miscigenação nos seus mais variados ritmos.



Numa data cheia de significado, 508 anos depois, Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz sobem ao palco do Teatro Alberto Maranhão, no dia 22 de abril, às 20h, com um show que faz combinações inusitadas de ritmos, reinventando a música instrumental brasileira.

Na ocasião o quarteto estará lançando o DVD “Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz”, gravado em novembro do ano passado. A escolha da data não foi aleatória. “Quando o DVD ficou pronto e estávamos procurando a melhor data para fazer o lançamento, surgiu a idéia de fazer no dia 22, dia do descobrimento do Brasil. Estão percebemos que o trabalho que nós desenvolvemos na música tem muito haver com a data. No show nós tocamos do fado ao samba. Passeamos pelos ritmos brasileiros, combinando-os com a música do mundo. Por isso o lançamento não poderia acontecer em dia mais apropriado que esse”, explica Raphael Bender, baterista do Macaxeira Jazz.

A gravação do DVD foi um sucesso, e o resultado final é um trabalho refinado, que mostra o potencial musical do Rio Grande do Norte. Quatro jovens músicos que conseguiram agradar a diversos tipos de público, principalmente aos apreciadores da boa música.


O show

Algumas surpresas estão reservadas ao público que comparecer ao lançamento do dia 22/04. O grupo não vai apresentar o mesmo show do DVD. Apenas algumas músicas – as mais apreciadas pelo público – foram mantidas. Novas versões foram acrescentadas, e prometem empolgar a platéia.

Os DVDs estarão à venda no teatro durante o lançamento, e haverá sorteio de alguns DVDs para a platéia.


Parcerias

O lançamento tem patrocínio do Colégio CEI, Flamma Luminárias e da Botton. Na ocasião do lançamento, a Botton estará apresentando também a nova coleção da marca, num casamento perfeito entre música e moda, som e imagem.


Serviço:

Lançamento do DVD Diogo Guanabara e Macaxeira Jazz
Terça-feira 22/04
Teatro Alberto Maranhão
Às 20h
Ingressos à venda na Botton do Midway Mall
R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (estudante)



A dica está dada.

Carpe Diem. Amo vocês.

domingo, 13 de abril de 2008

Mapa Do Meu Nada.



"Quer saber quando te olhei na piscina
se apoiando com as mãos na borda
fervendo a água que não era tão fria
e um azulejo se partiu
porque a porta do nosso amor estava se abrindo
e os pés que irão por esse caminho
vão terminar no altar
Eu só queria me casar
com alguém igual a você
E alguém igual não há de ter
então quero mudar de lugar
eu quero estar no lugar
da sala pra te receber
na cor do esmalte que você vai escolher
só para as unhas pintar
quando é que você vai sacar
que o vão que fazem suas mãos
é só porque você não está comigo?
só é possível te amar...

seus pés se espalham em fivela e sandália
e o chão se abre por dois sorrisos
virão guiando o seu corpo que é praia
de um escândalo, charme macio
que cor terá se derreter?
que som os lábios vão morder?
vem me ensinar a falar
vem me ensinar ter você
na minha boca agora mora o teu nome
é a vista que os meus olhos querem ter
sem precisar procurar
nem descansar e adormecer
não quero acreditar que vou gastar desse modo a vida
olhar pro sol, só ver janela e cortina
no meu coração fiz um lar
o meu coração é o teu lar
e de que me adianta tanta mobília
se você não está comigo?
só é possível te amar
ouve os sinos, amor
só é possível te amar
escorre aos litros o amor"

[Nando Reis - No Recreio]


Carpe Diem. Amo vocês.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Agora.



Em tua honra,
não derramarei mais
nenhum lágrima.


Carpe Diem. Amo vocês.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Priere De Ne Pas Déranger.



Certas pessoas merecem ter uma placa de "Não Perturbe" penduradas na porta de seus quartos.

Do lado de dentro.


Carpe Diem. Amo vocês.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Sobre abandono. E mesas de centro.


— Cadê aquela mesinha de centro que ficava na sala?
— Ah, aquela? Minha madrinha achou muito bonita, sabe?
— E aí...?
— Aí eu deixei com ela.
— Como assim? Mas...
— Ah, eu não queria mais ficar com ela mesmo...
— Mas... Mas fui eu quem lhe dei!
— Sim, eu lembro. Mas isso foi quando você veio morar aqui.
— E o que uma coisa tem a haver com a outra?
— Foi você que a trouxe p’ra cá.
— Sim, mas... Mas era uma mesa linda! De muito bom gosto!
— É, sim. Mas decidi que, desde o dia em que você foi embora, não quero que nada seu, nem mesmo o seu bom gosto, permaneça nessa casa.


Carpe Diem. Amo vocês.

quarta-feira, 19 de março de 2008

It's killing you, spirit?


Carpe Diem. Amo vocês.

M.I.A.


Era uma vez, um cara. Um cara tão comum que talvez você nem conheça um desses.

Certa feita, esse cara saiu de casa, por um motivo. Um motivo tão comum que nem valeria a pena citar.

Esse cara comum, com um motivo comum p’ra sair de casa, levou consigo suas chaves e seu relógio.

Dizem as más línguas que as chaves possuem, por principal atributo, a capacidade de abrir – Até mesmo fechar! – Portas. E o relógio, conhecimento obscuro adquirido com um monge tibetano que conheci num beco de Londres, possui uma utilidade secreta: revelar as atuais horas àqueles que não possuíam (e até mesmo a algumas que já a possuíam, mas que têm seu ego engrandecido quando as confirmam pelo aparato).

Iluminado pela incomum ciência da utilidade de sua chave e seu relógio, nosso comum cara seguiu pelo caminho previamente estabelecido (em uma vida passada, ouvi da própria Morgana LeFay que pessoas comuns nutrem o hábito de estabelecerem previamente seus caminhos para, só após a confecção de tal ritual, o realizarem de fato). Uma perna após a outra. Ãngulos de curva executados perfeitamente. Esquivava-se de quaisquer obstáculos que apareciam em seu caminho: degraus, postes, placas... mesmo as outras pessoas, que não estavam em seu previamente estabelecido caminho, não se tornavam empecilho. Nunca.

Até que ocorreu o fato.

Alguns historiadores dissertam que haveria sido uma direita ao invés de uma esquerda que ele deveria ter contornado. Três ensaístas tiveram a coragem de dizer, na minha cara, que não foi direita nem esquerda – Ele teria seguido em frente, tornando o fato ainda mais espetacular. A tia de um homem que eu não conheço hipotetizou que havia sido uma inefável obra divina. E um jogador de críquete, famoso expert que sempre é consultado pela imprensa quando esse jaez de fenômeno ocorre, trouxe à tona o célebre postulado da Legítima Acídia – Aquele que disserta sobre as probabilidades de um ato qualquer ocorrer por mero desleixo.

O que importa é que o fato ocorreu.

Um cara tão comum, com um motivo tão comum, viu-se perdido. De súbito, não havia mais rosto, rua, árvore, passarinho ou camiseta de time de handebol que lhe fizesse sentido. E, para agravar o quadro, quanto mais ele andava, menos elementos faziam parte do cenário. Sua visão, tão ilimitada quanto possível para um cara comum, conseguia atentá-lo apenas para quilômetros e quilômetros de areia a sua volta, com esparsos arbustos localizados lá e cá e algumas aves, extraordinariamente irreconhecíveis por conta da altura com a qual singravam os céus.

Ele continuou andando, andando e andando. Desacostumado à falta de obstáculos previamente computados (pois, de fato, não havia obstáculo algum). Uma liberdade de movimentos à qual nenhum cara comum se sentiria confortável. Ansioso por algum tipo de orientação ele olha para o seu braço esquerdo (de acordo com os personal stylists de descendência fenícia, caras comuns usam relógio no braço esquerdo)...

...E percebe que não há mais relógio algum.

Ele se sente extremamente perdido. Pessoas comuns sentem-se perdidas assim quando uma situação dessas ocorre, disse-me o Oráculo de Massachusetts. Perdido a ponto de procurar retomar um eixo lógico que o leve de volta até o momento em que não havia problema algum (Pessoas comuns recorrem a esse subterfúgio. Isso é dedução minha).

Resolveu assumir uma tática baseada na recapitulação dos seus passos antigos a fim de retornar por eles. Muito perspicaz, embora não seja propriedade apenas de pessoas comuns chegarem a tal conclusão. De qualquer forma, começou a seguir suas antigas pegadas, em direção à sua posição anterior.

Caminhou por horas Ao menos ele achava que haviam sido horas. Como estava sem relógio, não podia precisar o tempo transcorrido. Até que não encontrou nada do que procurava: nem seu relógio nem o caminho de volta.

E, numa atitude incomum para caras comuns, nosso amigo senta-se na areia. Olha para os lados. Percebe que seu corpo relaxa a partir do momento em que o relógio deixa de ser o seu maior problema (Em tempo – Os relógios nunca são o problema. As coisas complicam quando se é esclarecido da sua utilidade secreta).

Ele passa a se aperceber das sensações mais estranhas. O impacto do vento em seu corpo. O som dos pássaros. O farfalhar das folhas dos arbustos. Olhou para a sua mão e percebeu que ela estava cheia de areia. Começou a brincar com ela: a deixava cair no chão, a recolhia novamente e reiniciava o processo.

E quando menos esperava, encontrou seu relógio perdido. Sua estrutura arranhada. Seu visor intacto. Os ponteiros ainda funcionando perfeitamente.

Foi aí que ele uniu a argola de suas chaves à pulseira de seu relógio, de forma que eles não mais se separassem.

Fechou bem a sua mão direita.

Girou seu braço.

Os arremessou bem longe.

E correu à direção contrária.

Não sentindo mais a necessidade de voltar para lugar algum, ou situar-se em tempo algum.

Ciente disso e olha p’ra trás... para continuar a correr. E pensa:

“Tanto melhor.”


Carpe Diem. Amo vocês.